As diferenças entre o Missão e o Novo, segundo Renan Santos
O Antagonista · 15min · 5 blocos
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Missão aposta em fidelidade às ideias para fazer o impossível na política
O Missão é apresentado como uma tentativa do MBL de criar um partido fiel aos próprios princípios e ao conteúdo do livro amarelo, sem negociar pautas no Congresso nem trocar de legenda. A matéria contrapõe essa promessa à trajetória de partidos ideológicos que perderam sua identidade, como o PSOL e o Partido Novo. Renan Santos considera o projeto improvável em uma direita dominada pelo bolsonarismo, mas defende assumir o desafio de fazer o que parece impossível; a capa também repercute positivamente entre apoiadores do MBL.
Desfavelização: a proposta do Missão para unir segurança, investimento e dignidade
Renan apresenta a desfavelização como eixo central da proposta do Missão, inserindo a segurança pública em uma mudança de rota baseada em lei e ordem e na retomada de territórios dominados pelo crime organizado. A proposta também envolve recuperar a capacidade de investimento do Estado em moradia e transporte para as periferias, restabelecendo a dignidade de milhões de brasileiros após décadas de êxodo rural e violência urbana. No estágio final, o projeto pretende enfrentar também uma suposta favelização da mentalidade brasileira, tratada como um desafio civilizacional.
As ameaças do crime organizado limitaram a rotina e a liberdade de Renan
Renan afirma que passou a andar com segurança e a arcar com esse custo depois de receber centenas de ameaças por criticar o crime organizado. Ele cita Amanda Vetorazo como a pessoa mais ameaçada por ser autora da lei antiuruan e relata ter queimado uma bandeira do Comando Vermelho em uma cidade dominada pela organização, o que o levou a restringir sua rotina e abandonar atividades como correr sozinho.
Por que o partido quer o Executivo sem abandonar seus princípios
Renan sustenta que o grupo precisa disputar o Executivo para transformar as regras do jogo, porque a atuação no Legislativo teria capacidade limitada diante de uma base fisiológica e de rearranjos do centrão. Ele reconhece que todos se transformam ao chegar ao poder, mas afirma que 11 anos de integridade, princípios firmes e uma cultura interna de vigilância podem evitar uma transformação negativa; como exemplo, cita a expulsão de vereadores eleitos pelo MBL.
Missão se divide entre cultura, experimentação e execução política, ao contrário do Novo
Renan afirma que o Missão surgiu como parte de um grupo político consciente da complexidade da esfera pública, diferentemente do Partido Novo, que teria subestimado esse desafio ao importar uma lógica da iniciativa privada. Ele descreve três frentes de atuação: a Valete na elaboração cultural, o MBL na experimentação política e o Missão na execução partidária. Também critica as disputas internas do Novo, que terminaram com a transformação do partido em uma legenda bolsonarista.